EXPOSIÇÃO | Testemunhos possíveis

On janeiro 17, 2017 by mamm

No livro Le grand miroir du monde (1587), Joseph du Chesne pondera que: “se o homem deseja ver a si mesmo, se deseja contemplar a grandeza da alma, deve dirigir o olhar sobre o espelho do mundo”.

Espelho universal, revelador de tudo e todos, a arte sobrepuja o tempo e espaços contando a história da humanidade e enlevando representação do mundo. Não importa o discurso, as diversas linguagens delineiam movimentos da vida e da morte, testemunhos possíveis ou utopias, alguns perscrutadores do futuro.

Numa atitude formacional, neste contexto, a Universidade Federal de Juiz de Fora, celebra sua contribuição ao universo da arte, registrando a passagem dos dez anos de criação do Instituto de Arte e Design, cujo embrião se concebe, no curso de Desenho e Plástica, quando um leque de possibilidades no cenário da cultura se dessela no florescimento de inúmeras oportunidades de aprendizado e criação.

Significativos professores: Arlindo Daibert no desenho, Ricardo Dubinskas na cerâmica, José Alberto Pinho Neves na gravura, Leonino Leão na pintura, Ricardo Cristófaro na escultura, entre outros, reafirmaram o comprometimento da Universidade Federal de Juiz de Fora com o ensino da arte e da movimentação das ideias na terra de Pedro Nava, legando à sociedade, por meio da permanência de suas obras e ações, vestígios da efervescência que determinaram.

À similaridade dos galos da madrugada do poema “Tecendo a manhã” de Cabral de Melo Neto, esses artistas, integram um processo criativo decorrente de experiências pretéritas que, apanhadas, semeiam processos, e tecem a arte do futuro, atentas não a sobrevivência, mas à contemporaneidade como quer Murilo Mendes.

Na tessitura da teia criativa, imprescindível se faz evocar três momentos sinalizadores quanto à renovação do fazer artístico na cidade. Primeiro, nos anos 1930, a criação do Núcleo Antônio Parreiras, que abandona a pintura copista, criando a tradição da valorização da paisagem, naturezas mortas e retratos. Segundo, na década de 1960, pelas as ações políticas-socioculturais da Galeria de Arte Celina, experiências ditadas por artistas, emigrados da Antônio Parreiras, registram um nouvell  balizamento mensageiro de valores de avant-garde. Terceiro, ainda no fim da década de 1960, por meio da instituição do curso de Desenho e Plástica da Universidade Federal de Juiz de Fora, foram germinadas as origens de um núcleo de talentos responsável pela oxigenação das artes visuais na cidade, convertido, em 1980, em Educação Artística, e, em 1990, o curso de Arte e Design. Na sequência desses caminhos, em decorrência do programa de Restruturação de Expansão das Universidades Federais, instituiu-se, em 2006,  o Instituto de Artes e Design, dando vida a sonhos historicamente reprimidos pela ausência de recursos.

Assim … o Museu de Arte Murilo Mendes, cuja implantação é uma conquista decorrente de alguns pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora, com resoluto subsídio dos professores do Instituto de Arte de Design, apresenta ao público a mostra TESTEMUNHOS POSSÍVEIS, segmentada em dois blocos, que contempla a demonstração potencial, por diversidade de linguagens, de professores e ex-professores e alunos e ex-alunos, que predominam no mercado da arte.

Trata-se, sobretudo, de um tributo ao saber, que ilumina e expande a produção criativa, reiterando que através da arte se vence o tempo,  se delineia a memória revelada pela interpretação de criadores, “sombras a serviço das coisas mais altas, que às vezes eles nem entendem”(Guimarães Rosa), que testemunham os designíos do mundo.

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