JUIZ DE FORA NA VERDE

A Semana de Arte Moderna de 1922, divisa do nosso modernismo “tupy”, incitou variegadas reflexões sobre o novel e verde tempo das artes no Brasil. No debate dos seus singulares preceitos criativos firmaram-se redes de sociabilidade pelo território nacional. Em Minas Gerais, um grupo de jovens intelectuais liderados por Rosário Fusco, na ocasião com apenas 17 anos de idade, Guilhermino Cesar, Francisco Ignácio Peixoto, Henrique de Resende e Ascânio Lopes, no futuro reconhecidos vultos do universo cultural, arquitetaram em Cataguases, a revista VERDE (1927), inconteste fenômeno na vida literária, a mais significativa manifestação modernista mineira.

Chancelada pelo comércio e indústria cataguasenses, entre 1927 a 1929, a VERDE totalizou seis números. Na primeira fase, de setembro de 1927 a janeiro de 1928, quando cessaria, circularam cinco números e, na segunda fase, em maio de 1929, um único número, com textos, entre outros, de Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade e Graça Aranha.

Quem recorrer às publicações atestará a colaboração de ilustres intelectuais brasileiros e, de alguns poucos, mas relevantes, estrangeiros como do poeta franco-suiço Blaise Cendrars que, em abril de 1924, empreendeu com Tarsila do Amaral, Oswald e Mário de Andrade, viagem a Minas à descoberta do nosso Barroco.

Alguns números da revista VERDE aludem contribuições de escritores juiz-foranos: Edmundo Lys (Antônio Gabriel de Barros Vale), Murilo Mendes e Pedro Nava. Também constatamos críticas a publicações sobre a cidade, como o Juiz de Fora, poema lyrico (1927) de Austen Amaro, e ao livro Verbo das sombras (1928) do poeta Roberto Gil que, na década de 1950, elegeu residir na cidade onde se fez evidente e influente pintor.

A mostra VERDE, 1927-2017, assinada pelo Museu de Arte Murilo Mendes, diligencia, abreviadamente, reaquistar presença de Juiz de Fora, “Manchester das minas gerais” (Rosário Fusco), na revista VERDE, em louvação dos 90 anos de sua travessia.

VERDE, de dentro para fora: esboço de seu projeto.
“Abrasileirar o Brasil – é o nosso risco” (VERDE, nº1)



MAMM - MUSEU DE ARTE MURILO MENDES
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