Retratos do Artista Arlindo Daibert

Arlindo Daibert se situa entre os mais importantes artistas plásticos brasileiros de sua geração. Autor de uma obra extensa e diversificada, abrangendo técnicas e temáticas as mais variadas, destacou-se particularmente pelo virtuosismo de seus desenhos, num amplo arco que vai do realismo fantástico a trabalhos de natureza conceitual. Poucos desenhistas brasileiros alcançaram seu nível técnico e expressivo.

A exposição Retratos do Artista Arlindo Daibert pretende dar uma mostra dessa riqueza criativa elegendo alguns momentos de sua trajetória e apresentando trabalhos e documentos que raramente ou nunca foram vistos pelo público. Busca-se, também, apresentar facetas do autor que vão além de seu trabalho estritamente plástico e que permitem observar a dimensão de seus interesses e intervenções. Daibert foi, além de artista plástico, alguém preocupado e interessado em interferir no campo cultural em sentido amplo.

De sua obra plástica foram selecionadas obras pouco conhecidas, como Midas, ou elementos relativos a séries famosas e que ajudam a esclarecer sua execução. É o caso das peças em torno da série Mandalas, com a exposição, pela primeira vez, da “mandala” recortada em cem pedaços. Cada parte dela foi enviada para cem amigos do autor, que deveriam ir à exposição e colá-la no local indicado para que a mandala fosse reconstituída. Caso também da foto do Açougue Brasil de seu avô, a partir da qual Daibert teve a ideia de fazer a série. De Retrato de artista, outro importante trabalho com que se ocupou por mais de dez anos, são mostrados elementos que eram distribuídos para o público que frequentou as exposições em torno da série.

No campo de suas intervenções culturais, a exposição reúne algumas peças fotográficas que foram produzidas por Arlindo Daibert e Leonino Leão na Espanha refazendo o percurso de Murilo Mendes no livro Tempo espanhol. Elas servem para sinalizar o sistemático interesse de Daibert pelas relações entre artes plásticas e literatura, que se expressa também na mostra de trabalhos em torno de Grande sertão: veredas, talvez sua série mais conhecida.

Completam a exposição algumas correspondências manuscritas, cartões-postais, fotografias, catálogos e livros de e sobre Arlindo Daibert. Esses materiais permitem estabelecermos relações com seu Diário, além de tornarem notáveis o crescente impacto de seus trabalhos e o cuidado com que montava suas exposições, o que pode ser conferido nos convites com intervenções à mão, transformados assim em obras plásticas.

Ronald Polito

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