Instruções ao Invisível é um boletim do Setor de Biblioteca e Informação do MAMM, que tem como objetivo gerar e transmitir conteúdos relevantes de seus acervos bibliográficos e documentais.

 

O Boletim #12 Por dentro da Janela do caos comemora os 70 anos de lançamento da obra Janela do caos, do poeta Murilo Mendes (com litografias de Francis Picabia), apresentando imagens e textos, artigos, correspondência e litografia que se referem ao livro homenageado.

 

Item 1: poema Janela da caos.

Item 2 e 3: fotocópias da versão de revisão de artigo sobre a obra Janela da caos.

Item 4: trecho de carta de Murilo Mendes para Francis Picabia, relatando a sua visão sobre o surrealismo.

Item 5: litografia de Francis Picabia para o livro Janela da caos.

 

Boa leitura!



JANELA DO CAOS
I
Tudo se passa
Em Egitos de corredores aéreos
Em galerias sem lâmpada
À espera de que alguém
Desfira o violoncelo
– Ou teu coração?
Azul de guerra.
II
Telefonam embrulhos
Telefonam lamentos
Inúteis encontros
Bocejos e remorsos.
Ah! Quem telefonaria o consôlo
O puro orvalho
E a carruagem de cristal.
III
Tu não carregaste pianos
Nem carregaste pedras
Mas na tua alma subsiste
– Ninguém se recorda
E as praias antecedentes ouviram –
O canto dos carregadores de pianos
O canto dos carregadores de pedras.
[…]
Fonte: MENDES, Murilo. Janela do caos. Paris: Imprimerie Union, 1949. p. 13-14.
OUVIR
O ITINERÁRIO DE UM LIVRO EM PARIS
( PARA “Sombra”)
[…]

São apenas seis poemas, coisa pouca para um poeta tão fecundo e tão bom, mas o que se procura com essa publicação é criar, dentro das possibilidades européias, uma obra em que todas as partes se harmonizem: a substância e a forma dos poemas, as ilustrações, o papel, a arte gráfica. Acredito que seja essa a suprema alegria de quem escreve, poder lançar um livro, pelo menos um, em que tudo se corresponda harmonicamente, satisfazendo no leitor de bom gôsto uma necessidade de ritmo e sensualidade que não existe nas edições más ou defeituosas.

[…]
[…]
Além do valor artístico, as ilustrações de Picabia interpretam bem a poesia de Murilo Mendes, havendo entre uma coisa e outra êsse contacto fugaz, mas sensível, entre dois espíritos que buscam em instrumentos diferentes uma frase musical.
[…]
Paulo Mendes Campos
Fonte: CAMPOS, Paulo Mendes. O itinerário de um livro em Paris. Jornal Sombra, Rio de Janeiro, jan. 1950. No prelo.
UMA EDIÇÃO BRASILEIRA EM PARIS.
(Especial para o “Diário de Notícias”).
RUBEN NAVARRA.
Paris, Agôsto.
[…]
Ora, a edição de luxo de um grande poeta brasileiro em Paris, é um acontecimento que merece atenção dos nossos meios, tanto pelo inesperado do fato como pela origem da iniciativa. É, de qualquer maneira, um lançamento da literatura brasileira. Se a língua portuguesa continua não existindo para muita gente boa aqui, o nome da Picabia, autor das seis litografias, se bem meio eclipsado pelas novas estéticas na hora atual, ainda é um nome parisiense de bela tradição. Para um poeta de língua desconhecida, é um padrinho a não desdenhar. Aliás, as ilustrações de Picabia me colocam, algumas delas, na atmosfera das guaches de Ismael Nery, mistério de antigas filiações. É o bastante para dizer o quanto devem estar próximas da arte de Murilo Mendes, cujas origens coincidem com as da arte do seu amigo. Na livraria La Hune, onde o livro estará exposto, ninguém resistirá a um movimento de curiosidade.
[…]
Fonte: NAVARRA, Rubem. Uma edição brasileira em Paris. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 28 ago. 1949. No prelo.
Carta de Murilo Mendes a
Francis Picabia
Rio de Janeiro, 25 de julho de 1949
Ilustre e caro Picabia,
[…] Não sou um surrealista ortodoxo, mas devo confessar que o surrealismo sempre exerceu sobre mim um grande fascínio. Acho que há muita surrealidade mesmo em certos clássicos; que há um estado surrealista na vida, um estado que com frequência se esconde, mas que todavia se revela em toda sua estranheza e sua angústia. Esse estado transparece inevitavelmente em meus poemas. Em lugar de buscar uma correspondência gráfica impossível e que  maltrata tantos textos, o senhor encontrou o núcleo mesmo dessa poesia em sua surrealidade, no centro do debate entre a ordem e a loucura que continua sendo o grande debate de minha vida. […]
Cordialmente
Murilo Mendes
Rua Ibituruna, 72 – 1º. – Rio de Janeiro, Brasil
Fonte: CARTA de Murilo Mendes a Francis Picabia. In: GUIMARÃES, Júlio Castañon (org.). Cartas de Murilo Mendes a Roberto Assumpção. Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 2007. p. 96-97.
Fonte: MENDES, Murilo. Janela do caos. Paris: Imprimerie Union, 1949. Litografia original.
Boletim do setor de Biblioteca e Informação MAMM
Lucilha Magalhães (Curadoria)
Mariana Couto (Voz)
Simone Santos (Texto)
Washington da Silva (Organização e design)
Superintendente MAMM
Ricardo de Cristofaro
MAMM – MUSEU DE ARTE MURILO MENDES
www.museudeartemurilomendes.com.br
Rua Benjamin Constant, 790 – Juiz de Fora – MG
CEP: 36015-400
Recepção: (32) 3229-9070
Entrada Gratuita

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