Instruções ao Invisível é um boletim do Setor de Biblioteca e Informação do MAMM, que tem como objetivo gerar e transmitir conteúdos relevantes de seus acervos bibliográficos e documentais.

 

O Boletim #11 Figura matriz apresenta correspondência, imagens e textos de catálogos, e um poema de Murilo Mendes, com o intuito de dialogar com a Exposição GRAFIAS E MÚLTIPLOS: OS AMIGOS DA GRAVURA, em exibição na Galeria Retratos-Relâmpago do MAMM.

 

Item 1: trecho de carta da gravadora Fayga Ostrower para Maria da Saudade e Murilo Mendes, relatando sobre os seus métodos de ensino nas Artes.

Item 2: série de gravuras Lavadeiras, de Fayga Ostrower.

Item 3: notas de entrevista de Fayga Ostrower, falando sobre a arte da gravura.

Item 4: gravuras de Livio Abramo e citação do artista sobre criação artística.

Item 5: poema Homenagem a Goeldi, de Murilo Mendes.

 

“Um quadro é sem dúvida uma operação manual – mas é o resultado de inúmeras antecedentes operações visuais e mentais.” (MENDES, 1995, p. 849).

 

Boa leitura!

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1960
Querida Saudade e Murilo,
[…]

Vocês podem imaginar que me vi obrigada a um programa intenso de estudos em terrenos visinhos da criação artística, filosofia, psicologia, história da arte, sociologia até, mas é verdade que não vou inteiramente desarmada. Durante estes anos de ensino e trabalho próprio desenvolvi uma teoria de “metamorphoses dialéticas” dos elementos estruturais que me parece lógica para explicar a transformação do plano em espaço. As palavras soam bastante grandiloqüentes, sei, mas em primeiro lugar Vocês me conhecem e em segundo, esta teoria sem que a expuzesse como tal, deu resultados encorajadores no ensino. Queria capacitar os alunos para julgarem a qualidade de expressão artística em obras das mais diversas épocas e penso que o consegui em tempo relativamente curto. Naturalmente, uma vida inteira é pouco para se aproximar da arte, mas ao menos deixei-os impregnados com alguma coisa que poderá crescer: a procura de valores.

[…]
Fonte: Ostrower, Fayga. [Correspondência]. Destinatário: Maria da Saudade e Murilo Mendes. Rio de janeiro, 20 de fevereiro de 1960. 1 carta.
Lavadeiras, 1947
linóleo sobre papel – 34,5×26
Fayga Ostrower
Lavadeiras I, 1950
ponta seca sobre papel – 20×16
Fayga Ostrower
Lavadeiras, 1948
água-forte e água-tinta sobre papel – 12,5×12
Fayga Ostrower
“Os artistas que trabalhavam em gravura o faziam por amor, mesmo lutando contra o preconceito de que ela, assim como o desenho, eram ‘artes menores’. O gravador é um apaixonado, porque sua linguagem é difícil, exige concentração. Você tem de gravar, cortar, fazer uma linha, tomar uma decisão. Para isso, tem de saber a técnica, não pode improvisar. (…) Não existe gravador de domingo, você na gravura tem que trabalhar oito horas por dia.” (Entrevista de Fayga Ostrower para O Globo, 1986).
Fontes:
OSTROWER, Fayga. Fayga Ostrower. Organização Carlos Martins. Textos Wilson Coutinho e Lilia Sampaio. Rio de Janeiro: Sextante, 2001. p. 46-47.
OSTROWER, Fayga. Fayga Ostrower: gravuras 1950-1995. Curador: Carlos Martins. [S.l.]: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995. p. 22.
Macumba, 1957
Xilogravura – 27,5×34
Livio Abramo
Macumba, 1957
Linogravura – 27,5×34,5
Livio Abramo

Livio Abramo – 1970

 

“O fenômeno da criação artística vai do geológico ao social e ao humano, da realidade à abstração pura, sem limites de tempo e espaço. Sem me deixar seduzir pelo anedóctico, procurei nos acontecimentos humanos e nas manifestações da natureza, o que me parecia essencial.”

Fonte: ABRAMO, Lívio. Lívio Abramo: retrospectiva. Texto José Roberto Teixeira Leite et al. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1976. p. xix-xx, 13-14.
Homenagem a Goeldi
Osvaldo gravas:
A ti mesmo fiel, ao teu ofício,
Gravas a pobreza, o vento a dissonância,
A rude comunhão dos homens no trabalho.
Gravas o abandonado, o triste, o único,
O peixe que te mira quase humano
– É hora de morrer –
No preto e branco, no vermelho e verde.
Qualquer traço perdido,
A casa que espia pelo olho-de-boi
Testemunha de drama anônimo.
Gravas a nuvem, o balaio,
O geleiro e seus estilhaços,
O choque em diagonal de guarda-chuvas,
Tudo o que é rejeitado, elementos marginais,
A metade dum astro que se despe
Amado só do penúltimo vadio.
Osvaldo gravas,
Gravas qualquer solidão.
Os peixeiros que partilham peixe e onda,
Pássaros de solidões de água e mato,
O sinaleiro do temporal próximo,
A barca puxada pela sirga,
O bêbado e seu solilóquio,
A chuva e seus túneis,
O mergulho em tesoura da gaivota.
És do sol posto, da esquina,
Do Leblon e do uivo da noite.
Não sujeitas o desenho à gravação:
Liberastes as duas forças.
Atingindo agora a unidade,
Pela natureza visionária
E pelo severo ofício
A tortura dominando,
Silêncio e solidão
Osvaldo gravas.
Fonte: MENDES, Murilo. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1995. p. 556-557.
OUVIR
Boletim do setor de Biblioteca e Informação MAMM
Lucilha Magalhães (Curadoria)
Simone Santos (Texto e voz)
Washington da Silva (Organização e design)
Superintendente MAMM
Ricardo de Cristofaro
MAMM – MUSEU DE ARTE MURILO MENDES
www.museudeartemurilomendes.com.br
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