Vida

1901

Em 13 de maio, dia do aniversário da abolição da escravatura, conforme ele gostava de notar, nasce em Juiz de Fora, Minas Gerais, Murilo Monteiro Mendes, segundo filho de Onofre Mendes, funcionário público e Elisa Valentina Monteiro de Barros.

Nasce numa casa situada no Alto dos Passos, hoje av.Rio Branco, “às margens de um rio-afluente, de águas pardas, o Paraibuna, que fazia muita força para atingir os pés do pai Paraíba”.

1902

Em 20 de outubro, sua mãe “afeiçoada ao canto e ao piano, morre de parto com vinte e oito anos”. Seu pai viria a casar-se em novas núpcias com Maria José Monteiro (“Minha segunda mãe, Maria José, grande dama de cozinha e salão, resume a ternura brasileira. Risquei do vocabulário a palavra madrasta”). Deste segundo casamento nascem mais cinco filhos.

1910

Ano da passagem no céu do cometa de Halley, cuja visão o “desperta para a poesia”.

1912-1915

Belmiro Braga dá-lhe as primeiras aulas de poesia e literatura.

1916

Depois de concluído o curso primário e de ter frequentado o curso ginasial nos colégios Moraes e Castro, Malta e Academia do Comércio, de Juiz de Fora, ingressa na Escola de Farmácia local que abandonará passado só um ano.

1917

Foge do colégio interno Santa Rosa, em Niterói, para assistir no Teatro Municipal do Rio de Janeiro aos balés de Diaghilev e ver Nijinski dançar. Primeira atividade literária e recusa de continuar os estudos. O jovem poeta torna-se “um grande problema para a família”.

1917-1921

Depois de várias tentativas da família de o empregar como telegrafista, prático de farmácia, guarda-livros, funcionário de cartório, professor de francês num colégio de Palmira (hoje Santos Dumont), vai para o Rio de Janeiro com o irmão mais velho, José Joaquim, engenheiro, que o coloca como arquivista na Diretoria do Patrimônio Nacional, Ministério da Fazenda. Trava aí conhecimento com Ismael Nery, que se tornará seu grande amigo.

1920

Começa a colaborar no jornal A Tarde, de Juiz de Fora, em que além de escrever artigos, matem uma coluna intitulada “Chronica Mundana” que assina, no início, com a sigla MMM (Murilo Monteiro Mendes) e depois com o pseudônimo de Medinacelli.

1921

Já instalado no Rio de Janeiro, mantém a colaboração com A Tarde de Juiz de Fora, onde publica “Bilhetes do Rio”, sempre com o pseudônimo De Medinacelli.

1922

Com a realização da “Semana de Arte Moderna”, em São Paulo, eclode o Movimento Modernista.

1924-1929

Anos de formação. Avesso a uma atividade profissional fixa, o poeta tenta diversos empregos, entre os quais o de escriturário no Banco Mercantil do Rio de Janeiro. Através de suas extensas leituras, aproxima-se do surrealismo e escreve inúmeros poemas modernistas, grande parte dos quais destrói. Nestes anos colabora nas primeiras revistas do modernismo, como a Revista de Antropofagia e Verde.

1929

Apresenta, no Rio de Janeiro, uma exposição de quadros de Ismael Nery.

1930

Publicação do primeiro livro: Poemas (1925-1929) (Juiz de Fora, Editorial Dias Cardoso) que virá a receber o Prêmio Graças Aranha de poesia.

1930-1931

Escreve o auto “Bumba-meu-poeta” que será publicado na Revista Nova, de Paulo Prado.

1932

Publica o livro de poemas-piadas História do Brasil (Rio de Janeiro, Edição de Ariel) que mais tarde virá a considerar pouco representativo no conjunto de sua obra e não incluirá na recolha das Poesias de 1959. Torna-se colaborador do Boletim de Ariel, do Rio de janeiro, desde o primeiro número, com artigos sobre artes plásticas e crônicas de livros.

1934

A morte de Ismael Nery provoca-lhe uma crise religiosa que o devolverá a um cristianismo das origens. Contatos com o grupo francês da revista Esprit.

1935

Publica, junto com o seu fraterno amigo Jorge de Lima, Tempo e eternidade (Porto Alegre, Globo). Colaboração nas revistas Lanterna Verde e Dom Casmurro.

1936

Publicação de O sinal de Deus, livro de poemas em prosa, logo retirado do mercado.

1937

Publicação de A poesia em pânico (Rio de Janeiro, Cooperativa Cultural Guanabara).

1939

Inicio da segunda Grande Guerra.

1940

Jaime Cortesão, grande historiador e poeta português, exilado por se opor ao governo ditatorial de Salazar, estabelece-se com a família no Rio de Janeiro. Murilo Mendes conhece Maria da Saudade Cortesão, filha de Jaime, poetisa, com quem casará mais tarde e a quem dedicará dois livros.

1941

Publicação de O visionário (Rio de Janeiro, J. Olympio).

1943

Breve internamento num sanatório de Correias, por tuberculose pulmonar. Morte do pai.

1944

Publicação de As metamorfoses (Rio de Janeiro: Ocidente).

1945

Publicação de Mundo enigma (com Os quatro elementos) (Porto Alegre, Globo). Publicação de O discípulo de Emaús (Rio de janeiro, Agir).

1946-1948

Escreve Sonetos brancos, que só serão publicados na edição das Poesias em 1959.

1947

Publicação de Poesia liberdade (Rio de Janeiro, Agir). Casamento com Maria da Saudade Cortesão.

1949

Em edição rara, sai em Paris, sob o título Janela do caos, uma coletânea de onze poemas, remate de Poesia liberdade, ilustrada com seis litografias de Francis Picabia (Paris, Imprimerie Union).

1952-1956

Primeira estadia na Europa. Missão cultural na Bélgica e na Holanda. Em 1953, conferência na Sorbonne sobre Jorge de Lima, cuja morte acaba de ocorrer.

1954

Editada pelo Ministério da Educação, Rio de Janeiro, sai Contemplação de Ouro Preto. Publicação de Office humain (Paris, Seghers), antologia de poemas traduzidos por Dominique Braga e Saudade Cortesão.

1956

Volta ao Brasil. Conferências no Rio e em São Paulo. A Espanha franquista nega-lhe o visto para ingresso no país como professor de literatura brasileira.

1957

Vai para a Itália, como professor de cultura brasileira na Universidade de Roma. Instala-se com sua esposa, Maria da Saudade, num apartamento na viale de Castro Pretorio, em Roma, de onde se mudará pouco tempo depois para o apartamento definitivo na via del Consulado 6, no centro da cidade, que se tornará um ponto de referência para escritores e artistas plásticos.

1959

Sai na Itália, em texto bilíngue, Siciliana (Caltanissetta-Roma, Sciascia), em tradução A.A. Chiocchio e com um prefácio de Giuseppe Ungaretti. Publicação, pela José Olympio, sob o título de Poesias, da obra completa até a data (com exclusão de O sinal de Deus e História do Brasil). Publicação de Tempo espanhol (Lisboa, Livraria Morais Editora).

1961

Publicação da antologia italiana, em edição bilíngue, Introdução à poesia de Murilo Mendes (Milão, Nuova Accademia), organizada por Ruggero Jacobbi. Traduções de A.A. Chiocchio, Ruggero Jacobbi, Luciana Stegagno Picchio e Giuseppe Ungaretti. Publicação de Finestra del caos, pequena antologia bilíngue (Milão, Scheiwiller), com tradução de Giuseppe Ungaretti. Saem Siete poemas inéditos (Madri, Revista de Cultura Brasileña), com traduções e notas de Dámaso Alonso e Ángel Crespo.

1962

Publicação de Poemas de Murilo Mendes (Madri, Revista de Cultura Brasileña), com traduções e notas de Dámaso Alonso.

1963

Exibição em Florença, no Palácio Strozzi, de uma grande exposição antológica (250 obras) do pintor italiano Alberto Magnelli, apresentado no catálogo por Murilo Mendes.

1964

Sai em Lisboa, pela Livraria Morais Editora, a Antologia poética, organizada pelo próprio autor. Publicação na Itália em edição bilíngue de Le metamorfosi, com traduções e organização de Ruggero Jacobbi, Coleção “Poeti Europei” (Milão: Lerici). Publicado em Roma, pelas Edizioni dell’Ateneo, do volume Alberto Magnelli com texto de Murilo Mendes e contribuições de Giulio C. Argan, Eugenio Battisti, Palma Bucarelli, Maurizio Calvesi, Giuseppe Gatto, Nello Ponente, Italo Tomassoni.

1965

Publicação de Italianíssima (7 Murilogrammi) (Milão, Vanni Scheiwiller) e de “Poemas inéditos de Murilo Mendes” ( Madri, Revista de Cultura Brasileña), com traduções e notas de Dámaso Alonso e Ángel Crespo.

1968

Sai A idade do serrote (Rio de Janeiro, Sabiá). O livro teve bom acolhimento no Brasil e marca o regresso de MM prosador.

1970

Publicação de Convergência (São Paulo, Duas Cidades), com poemas do período 1963-1966.

1971

Publicação da antologia bilíngue, organizada por Ruggero Jacobbi, Poesia libertà (Milão, Accademia-Sansoni).

1972

É-lhe conferido o Prêmio Internacional da Poesia Etna-Taormina. Sai o livro de Laís Corrêa de Araújo dedicado à sua obra, Murilo Mendes (Petrópolis, Vozes, col. “Poetas modernos do Brasil”). Publicação de Poliedro (Rio de Janeiro, J. Olympio).

1973

Publicação de Retratos-relâmpagos, 1° série (São Paulo, Conselho Estadual de Cultura).

1974

Sobre um texto poético de Murilo Mendes, sai Marrakech, seis litografias de G.I. Giovannola
(Milão, All´Insegna del Pesce d´Oro).

1975

Murilo Mendes morre em Lisboa, no dia 13
de agosto, sendo ali sepultado. Deixa
numerosos inéditos, entre os quais Carta
geográfica, 1965-1967; Ipotesi, 1968; poesias escritas em italiano que serão posteriormente publicadas na Itália; Espaço espanhol, notas de viagem, 1966-1969; Janelas verdes, 1970, prosa sobre Portugal; Transístor, antologia de prosa, publicado em 1980 pela Nova Fronteira; Retratos-relâmpagos, 2° série, 1973-1974; Conversa portátil, miscelânea em prosa e verso, 1971-1974; A invenção do finito, 1960-1970, e L´occhio del poeta, ambos de textos sobre artistas contemporâneos, muitos já editados em catálogos de exposições; Papiers, originais em prosa e verso escritos em francês. Todos os inéditos portugueses foram incluídos na presente edição.

1976

Sai Mundo enigma, na tradução italiana de C.V. Cattaneo, com o prefácio de Ruggero Jacobbi (Turim, Einaudi). Sai em Belo Horizonte o livro de Fábio Lucas, Poesia e prosa no Brasil, com um extenso capítulo sobre Murilo Mendes, que atualiza os precedentes ensaios do autor sobre o poeta mineiro.
Sai o volume de Maria Lúcia G. Poggi de Aragão, Murilo Mendes (Rio de Janeiro, Educom).

1977

Sai Ipotesi, edição das poesias italianas, organizada e prefaciada por Luciana Steggano Picchio (Milão, Guanda) que marca o aparecimento, na Itália, de MM como poeta italiano.

1978

Sai La virgen imprudente y otros poemas.
Antologia bilíngue espanhol-português. Estudo e notas de Santiago Kovadloff. Seleção e tradução de Rodolfo Alonso (Buenos Aires, Calicanto). Sai a antologia Murilo Mendes, 29 poemas. Introdução de José Guilherme Merquior. Tradução de Carlos Germán Belli (Lima, CEB). Poemas de Ipotesi de Murilo Mendes aparecem em tradução romena de Marian Papahagi na revista Steau, ano 29, n. 3, março, p. 25.

1979

Sai no Brasil a antologia O menino experimental. Organização de Affonso Romano de Sant’Anna (São Paulo, Summus).

1980

Sai Transístor. Antologia de prosa 1931-1974. Seleção do autor e de Saudade Cortesão Mendes. Introdução de Luciana Stegagno Picchio (Rio de Janeiro, Nova Fronteira).

1982

Sai na Romênia Metamorfozele. Antologia, traduzida e prefaciada por Marian Papahagi (Bucuresti, Ed. Univers.).

1983

Sai a antologia Poesia, por Maria Lúcia Poggi de Aragão (Rio de Janeiro, Agir).

1984

Sai pelas edições da revista Kempf, de São Paulo, uma nova edição de O visionário (texto de 1941), com prefácio de Luciana Stegagno Picchio e gravuras de Claude Loriou.

1985

Sai a antologia: Murilo Mendes, org. de Júlio Castañón Guimarães, da Coleção Encanto Radical (São Paulo, Brasiliense). Exposição Murilo Mendes: o olho armado, na Universidade Federal de Juiz de Fora (que depois da morte do poeta, recebeu a doação de grande parte da sua biblioteca particular).

1987

Sai em Roma com data de 1984 (ano 5, n. 23), o número monográfico da revista Letterature d’America, dedicado a Murilo Mendes (com inéditos).
Outubro: inaugura-se em Lisboa, na galeria da Fundação Calouste Gulbenkian, a exposição Murilo Mendes: o olhar do poeta. Org. de Saudade Cortesão Mendes e João Nuno Alçada.
Participam no catálogo escritores e poetas amigos da Itália, Portugal e Brasil.

1988

Em agosto, exposição Murilo Mendes: um olhar, no Centro Murilo Mendes, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Catálogo.

1989

23 de novembro: lançamento em Lisboa, pela Galeria de Arte 111, da edição de arte, em 250 exemplares, com ilustrações a tinta da China e duas serigrafias originais assinadas por Vieira da Silva, de Janelas verdes, primeira parte do volume de Murilo Mendes a ser publicado brevemente em edição integral de luxo no Brasil, pela Nova Fronteira.

1990

A historiadora de arte Caterina Limentani Virdis inclui Murilo Mendes entre os poetas “leitores de pintura”: “Vermeer in Murilo Mendes”, in Il flauto di pietra. Forma e modelli: leggibilità della pintura (Pádua: Pagus, p. 50).

1975-1993

O “retorno” de Murilo Mendes, especialmente entre os jovens, é anunciado por vários artigos nos jornais e por um número notável de teses de mestrado e doutoramento, no Brasil e no estrangeiro. (Conforme o elenco na Bibliografia.)

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MUSEU DE ARTE MURILO MENDES

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