O Museu de Arte Murilo Mendes apresenta a exposição Museu de Arte Murilo Mendes – Entre tempos: 20 anos de acervo. A seleção de obras de arte contemporânea do acervo do museu evidencia o constante crescimento, a coerência conceitual e a dinâmica de aquisição que marcam a história institucional do MAMM.
Desde sua fundação, o MAMM vem experimentando um crescimento contínuo e qualificando ainda mais seu acervo musealizado, formando um conjunto sistematizado, equilibrado e coerente, sempre integrado ao seu planejamento conceitual, sua missão e seus objetivos. Com curadoria guiada pelas diretrizes conceituais da Política de Aquisição e Descarte de Acervos do MAMM, a mostra oferece ao público um panorama da riqueza e diversidade do conjunto de obras que o museu vem construindo ao longo de 20 anos.
Diálogos com o poeta
Alicerçado na doação da biblioteca e na posterior aquisição da coleção de artes plásticas de Murilo Mendes, o acervo museológico do MAMM mantém um diálogo constante com o universo muriliano. Uma das principais balizas para incorporação de obras de arte inclui artistas que integraram o universo colecionador do poeta. O artista Marcelo Grassmann exemplifica esta diretriz: também presente na Coleção Murilo Mendes, integra esta exposição com obra “Cavaleiro e Mulher” (1954), doada ao museu através de edital da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO), em 2024.
Ao longo dos anos, por meio de exposições temporárias, o museu incentivou a criação de trabalhos contemporâneos que dialogam com a vida e a obra do poeta. O desenho de Nívea Bracher, realizado, originalmente, para a mostra Retratos de Murilo, de 2011, é um dos últimos trabalhos da artista. Esse movimento reafirma o papel do MAMM como espaço de experimentação e reflexão, ampliando suas potencialidades de preservação, pesquisa e difusão.
Há, também, um olhar especial para a produção artística local. Evocada, sobretudo, pelo livro A Idade do Serrote, esse eixo reconhece o espaço museológico como agente identificador, em sintonia tanto com Murilo Mendes quanto com a comunidade juiz-forana, contribuindo para uma interpretação museológica da cidade. A seleção de obras reúne trabalhos de Valéria Faria, Fernanda Cruzik, e Fani Bracher, além de uma pintura de Dnar Rocha retratando o antigo prédio da antiga Faculdade de Filosofia e Letras (Fafile), onde funcionou, de 1994 a 2005, o Centro de Estudos Murilo Mendes.
Inspirado pelo poeta que se declarava “contemporâneo de si mesmo”, o acervo em exposição privilegia a diversidade geracional e a representação da arte brasileira e estrangeira. A seleção evidenc
Nesse sentido, a mostra reúne obras de Arlindo Daibert, Carlos Bracher, Flávio Shiró, Leonino Leão, Marco Magalhães, Maurício Bentes e Toz, compondo um panorama de poéticas diversas que coloca em diálogo diferentes gerações e territórios.
Ao trazer à luz, ainda, o lirismo gestual de Manabu Mabe, a força expressiva de Maria Lídia Magliani, o rigor gráfico de Renina Katz, a conexão nortista de Emmanuel Nassar, os elementos sacros de Hélio Siqueira, a recontextualização global de Vik Muniz, e a natureza onírica de Heberth Sobral, o MAMM reafirma seu compromisso com a representatividade de narrativas e experiências que formam o complexo tecido da arte.