90 anos

História do Brasil

Murilo Mendes

A primeira edição do livro “História do Brasil” de Murilo Mendes foi lançada em 1932. Com capa ilustrada por Di Cavalcanti, foi publicada pela Ariel Editora no Rio de Janeiro.

A História de Murilo Mendes, segundo a historiadora e crítica literária Luciana Stegagno Picchio, amiga pessoal do poeta, “[…] é uma história exemplar do povo brasileiro, mas uma história em quadrinhos: quadrinhos poéticos, “estórias” em verso, em que história e mitologia, tradição e folclore, realidade e fantasia se misturam e convergem assim como costumam misturar-se na cultura viva e nos sonhos dos habitantes do Brasil”.

Em artigo, Aníbal Machado comenta que “o livro de Murilo estabelece uma cordial intimidade com o Brasil. Eruditos, estudantes, militares, patriotas de todo gênero leiam a História do Brasil de Murilo Mendes, mais fiel que a de Rocha Pombo, mais sintética que a de João Ribeiro, e a única verdadeira”.

Em comemoração, apresentamos a mostra on-line “90 anos da História do Brasil de Murilo Mendes”, destacando alguns “quadros poéticos” que participaram da exposição “Algumas Histórias do Brasil”, realizada no MAMM em 2006, acompanhadas de fragmentos de poemas do livro.

Liliza Mendes, 2006

A Bandeira

Esmeraldas não achamos,
Ou achamos, mas sloper.
Não achamos esmeraldas,
Mas o tempo não perdemos:
No fim deste pic-nic
Desenrolamos no céu
A bandeira do país.

Pena de Anchieta

O padre era mesmo bom,
Não era padre, era santo.
[…]
Fizeram mal de botar
Este padre to notável
Servindo de manequim
Na estátua positivista

Helio Siqueira, 2006

Cesar Brandão, 2006

Homo Brasiliensis

O homem
É o único animal que joga no bicho.

Eugênio Pacelli, 2006

Fico

[…]
Eu fico, mas vou
Falar com a Marquesa,
Já volto pra ceia.
Falando em comidas
Eu fico, pois não.

Frederico Merij, 2006

O Índio Invisível

O índio fica no escuro,
O índio não sai do escuro
Mas o inimigo ele vê.
[…]

Ricardo Cristófaro, 2006

O Bacharel de Haia

Qual era o seu estribilho?
O culto à democracia,
[…]
Um dia, velho, morreu.
O país chorou a perda
De seu filho amado e ilustre;
A consternação foi geral.
Sobretudo entre os bicheiros:
No dia da sua morte
Deu a águia, todo o mundo
Jogara nela… Que azar!

Força do Aleijadinho

[…]
Então de dentro do corpo
Do homem disforme e triste
Sai uma boca de fogo,
Sopra no corpo da estátua
Que respira já prontinha,
Dá um abraço no escultor.

Suzana Lima, 2006

Leila Danziger, 2006

Amostra da Poesia Local

Tenho duas rosas na face,
Nenhuma no coração.
No lado esquerdo da face
Costuma também dar alface,
No lado direito não.

Fátima Pena, 2006

Amostra da Ciência Local

Mas Brasil se escreverá
Com “s” mesmo, ou com “z’?
Ele vai no dicionário:
Dá com “s” e dá com “z”.
Telefona à Academia:
“Ninguém sabe não senhor,
[…]

Francisco Severino, 2006

1500

A imaginação do Senhor
Flutua sobre a baía.
As pitangas e os cajus
Descansam o dia inteiro.
O céu, de manhã à tarde,
Faz pinturas de baú.

Jorge Fonseca, 2006

Milagre de Antônio Conselheiro

[…]
A igreja está firme,
O fogo redobra,
O homem não sai,
Não saiu nem a pau.
– Demônio de home,
Está com o demônio. –
[…]

O Alferes na Cadeira

Queria mesmo morrer;
Sentei na cadeira elétrica,
Morro, inda mesmo que tarde
A morte que sempre sonhei,
– Não esta morte vulgar,
Apagada, clandestina:
Eu quero morrer de herói,
Eu amo a posteridade;
[…]

Eliardo França, 2006

Ramon Brandão, 2006

Divisão das Capitanias

[…]
As outras cinco fazendas,
Pra fazer conta redonda,
Entregaram aos lisboetas
Que fornecem mantimento
Às capitanias restantes.

Wanda Tofani, 2006

O Herói sai da Estátua

[…]
Nunca sofri tirania,
Também tirano não fui.
Violei a Constituição,
Foi a única mulher
Que nesta vida violei.
[…]

Os Pombos do Pombal

[…]
Os pombos depois voltam satisfeitos,
Trazendo nos bicos rosados e finos,
Materiais pra reconstrução do pombal.

Rachel Falcão, 2006