Gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, teórica da arte e professora: Fayga Ostrower foi uma artista multifacetada. Esta ocupação evidencia a ampla variedade tipológica de procedimentos empregados ao longo de sua trajetória profissional, seu interesse em experimentar diferentes materiais e o trabalho desenvolvido no campo acadêmico.
Além de sua produção gráfica, a ocupação apresenta trabalhos em desenho, pintura em aquarela, desenhos em nanquim, ilustrações para livros e jornais e reproduções de estampas de tecidos realizadas por Fayga.
Importantes obras que fazem parte da história do MAMM também estão incluídas nesta curadoria. A primeira delas é uma gravura doada pela própria artista ao Centro de Estudos Murilo Mendes, há 25 anos, quando foi realizada a exposição A Música da Aquarela. Outro trabalho é a gravura em metal de 1992 reimpressa pelo projeto Os Amigos da Gravura, dos Museus Castro Maya, em celebração ao centenário da artista. Um dos exemplares dessa tiragem realizada a partir de matriz original cedida pelo Instituto Fayga Ostrower foi doado ao museu em 2022.
As pesquisas desenvolvidas no campo acadêmico são evidenciadas por livros de teoria das artes escritos por Fayga ao longo de sua trajetória, como A sensibilidade do intelecto e Acasos e criação artística.
O objetivo da mostra é revelar a amplitude e a riqueza da produção da artista. Ao reunir trabalhos em diferentes linguagens, juntamente com suas contribuições teóricas para o pensamento artístico, a exposição busca oferecer ao público a oportunidade de compreender Fayga Ostrower em sua totalidade, como criadora, pensadora e referência na arte.
Nascida em Lodz, na Polônia, Fayga Ostrower chegou ao Rio de Janeiro em 1934. Cursou Artes Gráficas na Fundação Getúlio Vargas, onde foi aluna de nomes como Axl Leskoschek e Hanna Levy-Deinhard. Realizou grandes exposições e foi premiada no Brasil e no exterior.
Entre os anos de 1954 e 1970, lecionou Composição e Análise Crítica no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Neste período, também foi docente nos Estados Unidos e na Inglaterra e em programas de pós-graduação de diversas universidades brasileiras. Com o objetivo de divulgar e popularizar a arte, realizou cursos para operários e em centros comunitários. Publicou seis livros sobre arte e criação artística, além de inúmeros artigos e ensaios.
Foi presidente da Associação Brasileira de Artes Plásticas (1963-1966) e da comissão brasileira da Internacional Society of Education through Art da Unesco (1978-1982). Participou do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro (1982-1988). Foi condecorada com a Ordem do Rio Branco (1972) e com o Prêmio do Mérito Cultural (1998) e, em 1999, recebeu o Grande Prêmio de Artes Plásticas do Ministério da Cultura.
Fayga foi casada com o historiador Heinz Ostrower, com quem teve dois filhos: Anna Leonor (Noni) e Carl Robert. A artista faleceu aos 80 anos no Rio de Janeiro.