Museu de Arte Murilo Mendes | MAMM

Fayga Ostrower: a conquista da pureza fundamental

“Armada dum tal rigor ela nos transmite a gravura em sua pureza específica, em sua categoria autônoma, alcançando assim a madureza”. Assim, Murilo Mendes definiu o trabalho de Fayga Ostrower, em texto para exposição realizada no Ministério de Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, em 1956.

Fayga Ostrower: a conquista da pureza fundamental abrange a produção gráfica da artista, apresentando técnicas como gravura em metal, litogravura, serigrafia e xilogravura. A mostra reúne um acervo que, em grande parte, é mostrado ao público presencialmente pela primeira vez. Trata-se de uma curadoria que integra quase a totalidade dos dois grandes lotes de doações realizados pelo Instituto Fayga Ostrower entre os anos de 2019 e 2020. Na ocasião, quando se celebrava o centenário da artista, o MAMM recebeu 67 obras de arte em suporte de papel e cinco matrizes – um conjunto que se tornou a segunda maior coleção museológica da instituição.

As obras apresentam desde elementos do expressionismo das décadas de 1940 e 1950, até a adoção da linguagem abstrata lírica das décadas finais de sua carreira artística na década de 2000. Além disso, possibilitam o enriquecimento da linha historiográfica da Coleção Murilo Mendes, contemplando trabalhos que integram a linguagem estética relativa à gênese do colecionismo muriliano.

Os três trabalhos de Fayga que integram a Coleção Murilo Mendes também participam da mostra. Entre elas, uma gravura em metal que retrata uma lavadeira apresenta uma dedicatória: “Para Saudade e Murilo Mendes”.

Essa é uma oportunidade de revisitar os caminhos da arte moderna e contemporânea brasileira a partir de uma das artistas mais consistentes e sensíveis de nossa história.

Sobre a artista

Nascida em Lodz, na Polônia, Fayga Ostrower chegou ao Rio de Janeiro em 1934. Cursou Artes Gráficas na Fundação Getúlio Vargas, onde foi aluna de nomes como Axl Leskoschek e Hanna Levy-Deinhard. Realizou grandes exposições e foi premiada no Brasil e no exterior.

Entre os anos de 1954 e 1970, lecionou Composição e Análise Crítica no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Neste período, também foi docente nos Estados Unidos e na Inglaterra e em programas de pós-graduação de diversas universidades brasileiras. Com o objetivo de divulgar e popularizar a arte, realizou cursos para operários e em centros comunitários. Publicou seis livros sobre arte e criação artística, além de inúmeros artigos e ensaios.

Foi presidente da Associação Brasileira de Artes Plásticas (1963-1966) e da comissão brasileira da Internacional Society of Education through Art da Unesco (1978-1982). Participou do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro (1982-1988). Foi condecorada com a Ordem do Rio Branco (1972) e com o Prêmio do Mérito Cultural (1998) e, em 1999, recebeu o Grande Prêmio de Artes Plásticas do Ministério da Cultura.

Fayga foi casada com o historiador Heinz Ostrower, com quem teve dois filhos: Anna Leonor (Noni) e Carl Robert. A artista faleceu aos 80 anos no Rio de Janeiro.