Estudantes conheceram práticas de Conservação-Restauração realizadas no museu
Alunos da disciplina Química e Arte e Processos Criativos, do Programa de Pós-graduação em Química da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), realizaram uma visita técnica ao Laboratório de Conservação e Restauração de Papel do Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM). Ministrada pela professora do Departamento de Química, Ingrid Derossi, a disciplina tem como foco a formação de professores-pesquisadores capazes de integrar saberes científicos, estéticos e pedagógicos.
Como introdução à visita, os estudantes assistiram a palestra “Restauração de Bens Culturais em Papel e Química: um diálogo interdisciplinar”, ministrada pelo conservador-restaurador e superintendente do museu, Aloisio Castro. Abordando fundamentos históricos e técnicos presentes nos processos químicos de conservação e restauração de acervos em suporte de papel, a aula apresentou alguns referenciais teórico-metológicos da Ciência do Patrimônio para melhor compreensão das práticas demonstradas no laboratório.
Em seguida, o grupo conheceu os equipamentos, materiais e técnicas empregadas pela equipe do museu. Para a professora, a visita revelou aos estudantes novas possibilidades de aprendizagem: “eles ficaram surpresos em saber que dentro do museu havia um laboratório de química. E, ainda, que um museu, na cidade deles, é tão rico de conhecimento e possibilidades. E isso pode ser levado para a sala de aula, fazendo com que mais pessoas tenham orgulho do que a universidade e a cidade têm. Isso valoriza a nossa cultura!”.
Essa foi a primeira vez que a doutoranda em Química pela UFJF e professora da rede estadual de educação de Minas Gerais, Beatriz Castro, visitou o MAMM. Observando os produtos químicos utilizados nos processos de Conservação-Restauração, ela ficou fascinada com as relações entre química e arte. “Eu consegui ver uma outra face da química, que é justamente o que a disciplina vem propondo. Nunca pensei em um laboratório dentro de um museu. Achei que faríamos uma visita para ver obras de arte, não que entenderíamos como elas podem ser cuidadas e restauradas. É, simplesmente, um espaço fantástico, me mostrando na prática que dá pra aprender química e arte, não sendo só mais uma teoria de livros que a gente tenta colocar em prática”, comenta.
O banho de uma obra de arte em suporte de papel em água deionizada chamou a atenção da mestranda em Química pela UFJF, Bruna Magiole. “Nunca imaginei que poderia molhar uma obra de arte. Mas eu entendi o quanto a química estava presente naquele momento, porque, primeiramente, testa-se a solubilidade das tintas – e isso é um princípio químico. O motivo de usar-se a água deionizada e de dar o banho também tem explicações químicas. Foi uma interface muito clara entre as duas áreas, dialogando muito com a disciplina”.
Doutorando em Química pela UFJF, Luis Felipe Martins, destacou a mediação realizada pelo superintende do MAMM: “foi bem tranquilo entender todo o processo, histórico e atual, sobre a produção, conservação e restauração das obras de artes, utilizando a química como aliada. Inclusive, parcerias entre o Museu e o Departamento de Química da UFJF. Eu nunca imaginei um laboratório dentro de um museu, foi bem interessante e certamente pude aprender bastante”, destaca.
“É muito significativo perceber o encantamento dos estudantes ao descobrir que o museu abriga um laboratório onde a química atua diretamente na preservação do patrimônio. Essa aproximação fortalece o vínculo do MAMM com a comunidade acadêmica e amplia a compreensão da instituição como um espaço de formação e pesquisa”, afirma Aloisio Castro.
De acordo com Ingrid, a visita técnica possibilitou que os estudantes – em sua maioria, professores – refletissem sobre como o museu pode ser utilizado como um espaço não formal de ensino, expandindo a compreensão sobre o alcance científico e profissional da área, ao mesmo tempo em que oferece novas possibilidades pedagógicas. “Temos de parar de pensar a educação científica apenas em espaços acadêmicos. Nós estamos aprendendo o tempo todo, a nossa sociedade também precisa desses conhecimentos. Mesmo eles sendo professores, eles têm de pensar em como educar aquelas pessoas que já não estão nas escolas e universidades, e os espaços não formais de ensino são a chave para isso”, avalia.
“Iniciativas como essa reafirmam a vocação do museu como espaço de pesquisa, ensino e difusão do conhecimento. A Ciência do Patrimônio evidencia como a ciência e a arte se encontram de maneira concreta, mostrando que os processos químicos são fundamentais para preservar a memória, o patrimônio e a produção cultural”, destaca o superintendente do MAMM.