No momento em que celebra seus 20 anos de atividades ininterruptas, o Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) se reafirma como território vivo para a produção do conhecimento, articulando cultura, ensino, pesquisa, extensão e inovação em uma dimensão prática e eficiente na missão de estreitar os laços entre a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a sociedade. Destaque entre os principais espaços museais do país, se alicerça em coleções de artes plásticas, bibliográficas e arquivísticas em evidência nas 272 páginas do livro “MAMM 20 anos: preservação, pesquisa e difusão”, organizado pelo superintendente Aloisio Arnaldo Nunes de Castro e publicado pela Editora da instituição. A publicação será lançada nesta quinta-feira, 11, às 19h, no MAMM.
Já em sua segunda gestão à frente do museu, Castro ressalta a publicação como um marco das comemorações dessas duas décadas: “a obra traz diferentes visões sobre a trajetória do MAMM, abarcando áreas multidisciplinares como memória, patrimônio, história da arte, museologia, ciência da conservação, preservação, restauração, acessibilidade, inclusão e novas práticas educativas”.
Em texto na quarta capa do livro, a professora Yacy Ara Froner, titular da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisa a experiência do museu como muito além de sua dimensão local, sendo referência para o pensamento crítico sobre o papel, os desafios e as possibilidades dos museus universitários brasileiros, fortalecendo-os. “Inspirado no legado de Murilo Mendes, poeta cuja vida e obra continuam a dialogar com o tempo presente, o MAMM reafirma seu compromisso com a arte, a ciência e a sociedade, dimensões que seguem orientando sua missão institucional e projetando novos horizontes para o futuro”.
Em sua análise sobre a história do MAMM, a reitora Girlene Alves da Silva salienta que o livro é um convite ao conhecimento sobre a trajetória institucional do museu, compreendendo-o em suas relações mais complexas com a comunidade universitária, a sociedade e o campo ampliado dos museus e da cultura. Ela destaca a localização estratégica de Juiz de Fora na Zona da Mata mineira, o que propiciou à cidade ser o centro de convergência dos interesses econômicos e educacionais de uma região que reúne mais de dois milhões de habitantes.
A reitora observa que a importância da UFJF para o desenvolvimento intelectual tem sido preponderante, e o MAMM tem marcado sua presença e contribuído, de forma inequívoca, para o fomento nas áreas de natureza artístico-cultural e de pesquisa, sempre a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento. Isso, graças ao seu precioso acervo, que inclui a mais extraordinária coleção de artes plásticas embarcada da Europa para o Brasil desde a chegada das obras trazidas da Itália por Pietro Maria Bardi, um dos fundadores do Museu de Arte de São Paulo (MASP).
O vice-reitor Telmo Mota Ronzani atenta para a auspiciosa coincidência entre os 20 anos do MAMM e o tempo de criação da Pró-reitoria de Cultura, levando adiante um trabalho que o diferencia de grande parte dos museus universitários. Ele destaca o compromisso formal, reiterado pelo plano museológico do museu, com o ensino, a pesquisa, a extensão, a cultura e a inovação, o que garante atenção plena ao que poderia vir a assombrar sua integridade física e a de todo o cabedal de conhecimento que abriga, a despeito das dificuldades orçamentárias que quase sempre rondam os planos de manter vivo um museu em toda a sua integridade.
À frente da Procult desde abril de 2024, o pró-reitor Marcus Vinícius Medeiros Pereira observa que, para além da academia, o MAMM tem se mostrado cada vez mais próximo da comunidade interna e externa à Universidade, mantendo uma programação diversificada, que se ampara na força expressiva de um acervo cuja base de sustentação são as coleções documentais, bibliográficas e artísticas de Murilo Mendes, acrescidas por doações em todas as áreas. “Desta forma, a casa do poeta continua movida pelo ideal desse intelectual multifacetado, que, com suas amizades, paixões e obras, fez nascer o museu”.
Ao refletir sobre a trajetória do MAMM, Medeiros relata que, “de sua gênese, na doação da biblioteca do escritor após sua morte, em 1975, pela viúva Maria da Saudade Cortesão Mendes, até a criação do Centro de Estudos Murilo Mendes (Cemm) com a aquisição da coleção de artes plásticas, em 1994, e, finalmente, a fundação do Museu como o conhecemos, foi uma longa jornada”. E completa que o museu, propriamente, originou-se à época em que mudanças físicas eram imperiosas. “Era o ano de 2005 e a transferência da antiga sede da Reitoria para o Campus levou a reitora Margarida Salomão a ter a ideia de instalar um novo espaço cultural no edifício da rua Benjamin Constant”.
O pró-reitor relata que a transferência do acervo do antigo Centro de Estudos Murilo Mendes (Cemm), sob a gerência da professora Valéria de Faria Cristofaro, começou em 20 de outubro de 2005 e a inauguração aconteceu em 20 de dezembro do mesmo ano, culminando, já na nova sede, com a criação do MAMM. “Atestando seu valor e a excelência do trabalho nele realizado ao longo dos anos, foi elevado, em 15 de junho de 2018, à categoria de Museu Registrado, levando-o a ser projetado a um novo patamar de qualidade e organização. Assim, tendo como superintendente nessa data o professor Ricardo Cristofaro, o MAMM se tornou a primeira instituição da região e uma das primeiras do estado a receber a certificação concedida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), órgão ligado ao Ministério da Cultura”.
Sobre o livro, Castro ressalta a importância dos textos acadêmicos, estimulando o diálogo com a comunidade científica e contribuindo para o desenvolvimento interdisciplinar do campo dos museus, suas práticas e reflexões. Além dos textos da reitora, do pró-reitor de Cultura e do superintendente do MAMM, constam as análises de Maria Cristina Oliveira Bruno, Ivan Coelho de Sá e Maciel Antonio Silveira Fonseca, Edson Munck Jr., Yacy Ara Froner, Raquel Quinet Pifano e Valtencir Almeida Passos, Renata Oliveira Caetano, Rodrigo Christofoletti, Martinho Alves da Costa Junior, Amanda Mazzoni Marcato Zago, Leila Maria Fonseca Barbosa e Marisa Timponi Pereira Rodrigues, Júlio Castañon Guimarães, Renata Cristina de Oliveira Maia Zago, Fabrício da Silva Teixeira Carvalho e Carmem Lúcia Altomar Mattos, Antonio Carlos dos Santos Oliveira e José Luis Gonçalves Zacarias Junior, Bárbara Lúcia Almeida e Valéria de Faria Cristofaro.
Castro frisa também que as pesquisas desenvolvidas no âmbito do projeto Reformulação da Reserva Técnica do MAMM foram aprovadas na Chamada Pública 2024 “Identidade Brasil”, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O volume conta, ainda, com uma obra de arte em suporte de papel de autoria da artista plástica e professora do Instituto de Artes e Design (IAD), Valéria Faria, cuja contribuição reafirma o entrelaçamento entre arte, memória e instituição que inspira a publicação realizada a partir da Editora UFJF.
A solenidade de lançamento contará com a presença do organizador e dos autores, em particular Yacy Ara Froner, que fará uma reflexão sobre a relevância desta edição comemorativa e sobre o papel dos museus de arte universitários como espaços privilegiados de produção, preservação e difusão do conhecimento.
Celebrando o lançamento, a galeria Poliedro recebe uma exposição das obras da série Tête-à-tête – retratos elétricos, realizada pela artista e ex-pró-reitora de Cultura da UFJF, Valéria Faria. Produzidas originalmente para o livro, as dez fotomontagens homenageiam o poeta através da técnica que, de acordo com a artista, foi escolhida por sua potente possibilidade de produção de novos significados, a partir de livres associações de ideias, entre apropriações, deslocamentos e ressignificações.
“Seu rosto viaja em fragmentos poéticos pinçados ao longo de sua extensa obra literária, entrelaçados a recortes de sua vibrante coleção de artes plásticas. Com diversas interseções em textos e imagens, livremente compostos, a série presta tributo à personalidade poliédrica e provocadora de Murilo, cujo maior instinto, segundo sua própria definição, era a liberdade. No mesmo sentido, Tête-à-tête destaca a liberdade poética na construção de encadeamentos plásticos em recortes de tempos e espaços subvertidos”, explica Valéria.