Paisagens Literárias

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Apresentação

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PONTO 01 - O Rio Paraibuna

Ponte Arthur Bernardes, localizada na altura da Rua Halfeld com a Avenida Brasil

O rio Paraibuna é um curso d’água que nasce na Serra da Mantiqueira e vem passando por diversas cidades mineiras e fluminenses. Ele é um recurso hídrico vital, tendo sido, no passado, um local de lazer e fonte de atividades econômicas importantes para Juiz de Fora. Atualmente, há esforços para sua despoluição e recuperação ambiental.

“Nasci às margens de um rio-afluente de águas pardas, o Paraibuna, que fazia muita força para atingir os pés do pai Paraíba. Dediquei-lhe na adolescência um minúsculo epigrama: ‘Eu tenho uma pena do rio Paraibuna’.”

“[A rainha do Sabão] reina sobre uma reminiscência, o tempo longínquo em que […] dominava barras de sabão lavando roupa com outras lavadeiras na margem direita do Paraibuna ou também Paraibunda pois ali se avistavam às vezes certas partes esotéricas do corpo das lavadeiras e suas amigas, a paisagem vista daquelas partes é uma beleza…”

No tempo de Murilo, o rio Paraibuna participava da vida da cidade como local de natação e outras competições esportivas. E era navegável e, ainda, como ouvimos, local onde as lavadeiras frequentavam, cantando músicas como “Rainha do Sabão”.

Agora, observe à sua volta como as pessoas interagem com o rio.

PONTO 02 - A Praça da Estação

Na praça, próximo ao busto do Dr. João Penido

A Praça da Estação (oficialmente nomeada Praça Dr. João Penido) foi inaugurada em 1875, na época de construção da estação que servia a Estrada de Ferro Dom Pedro II, tornando-se a principal porta de entrada e saída para moradores e visitantes de diferentes classes sociais. Como, na época, o transporte ferroviário era a principal via de acesso à Juiz de Fora, a praça era um local de grande movimento.

“a fumaça do trem que volta de Mariano Procópio apitando na curva, a flor da quaresmeira também apitou, ‘lá vai esse trenzinho caipira sem pai nem mãe, solto pelo mundo a fora’, diz Laura Mello e Souza; a tarde pré-industrial levanta a cauda, gigantes entre a folhagem cavalgam valquírias da fábrica de cerveja José Weiss […]

“Ouço as sirenes das fábricas apitando para o almoço: Juiz de Fora, dizem, antecipou-se a São Paulo em certos pontos da industrialização, conta uma usina hidroelétrica além de muitas fábricas de tecidos, de cerveja, de móveis, etc., fábricas de pesadelos segundo o poeta Arnaldo B…, inimigo da máquina; não ando lá por dentro, pouquíssimas vezes entrei numa fábrica, todos os dias entro numa casa comercial, entretanto acho a indústria mais simpática […]”

“Às vezes vou assistir à saída dos operários quando a chaminé apita, na realidade para catalogar as operárias, há mesmo certas feias que me agradam.”

A Praça da Estação foi um ponto de partida e chegada, ali Murilo não apenas observava o ir e vir dos trens, mas também se detinha na saída das operárias que pegavam o trem na estação do Mariano Procópio e desciam nesta central. Essa observação, tão particular, revela um poeta que, apesar de avesso à rotina da fábrica, estava atento à vida que acontecia ao seu redor, às pessoas que davam corpo e alma a essa nova era.

Já que estamos por aqui, feche os olhos e ouça os sons que predominam no espaço atualmente.

PONTO 03 - A rua Halfeld

Parte baixa, da Rua Halfeld, próximo ao prédio 337, em frente ao Hotel São Luiz e os edifícios da antiga Companhia Dias Cardoso

A Rua da Califórnia era um trecho da atual Rua Halfeld, mas em 31 de julho de 1901  foi rebatizada em homenagem ao engenheiro alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld, um dos fundadores da cidade.

Com um papel fundamental na história urbana de Juiz de Fora, essa rua funcionava como um corredor carregado de comércio, hotéis e serviços, que conecta a Praça da Estação  à Avenida Rio Branco, uma das principais artérias da cidade. Essa conexão não apenas facilitava o tráfego de pessoas, mas também promovia a integração social e econômica entre diferentes áreas do centro.

”Faço o footing na rua Halfeld da minha infância e adolescência”

“Direi, entretanto, que a rua Halfeld é uma reta muito comprida, começando às margens do Paraibuna e terminando além da Academia de Comércio.”

“Nos dois lados [da Rua Halfeld] levantam-se casas, sobressaindo, pelo menos no meu tempo de menino, a Livraria Editora Dias Cardoso, uma das minhas delícias de então; e a Casa da América, sortida com uma infinidade de objetos e instrumentos de toda espécie; delícia e terror, pois entre eles torqueses, serrotes, martelos, tenazes, tesouras, alicates”

A Rua Halfeld, para Murilo Mendes, é mais do que uma simples via urbana; é um espaço carregado de memórias e significados que marcam sua infância e adolescência. Através de suas descrições, ele resgata não apenas um espaço físico, mas um universo emocional que continua a ecoar em sua obra até os dias de hoje.

Ao caminhar pela Halfeld, repare nos diversos comércios e estilos arquitetônicos.  Deixe seu olhar vagar pelas calçadas, alcançar as fachadas superiores das construções, refletindo sobre as histórias que esses edifícios contam.

PONTO 04 - As pessoas da rua Halfeld

Entre a Rua Halfeld e a Rua Batista de Oliveira

A rua Halfeld sempre foi um local de encontro de diferentes pessoas, que por aqui transitavam. Esta rua, que é uma das principais e mais tradicionais da cidade, tornou-se calçadão em 15 de novembro de 1975, tendo sido convertida para uma área de pedestres. Na obra de Murilo Mendes, somos apresentados a um universo repleto de personagens que habitam esta rua e que aparecem em flashes de memória do poeta. 

“Escrevo sobre a rua Halfeld sem situá-la no espaço, ocupando-me somente com as pessoas que a percorrem. Nada a fazer: assim sou eu, ponho sempre em primeiro plano o homem e a mulher. […]

[A rainha do sabão] “reina sobre um minúsculo território, a rua Batista de Oliveira na qual desponta diariamente, sobre o talvez buraco onde se esconderá após ter recebido de seus súditos o tributo de alguns tostões […]”.

‘’Ricardo, o amolador de facas e canivetes, vai girando sua roda de pedra, aquele grito estrídulo, música atual, golpeia o ar’’

“O farmacêutico Gregório L…, gordo, simpático, olhos piscosos, traz a barba loura à guisa de uniforme, sua especialidade consiste em alterar ditos e provérbios, por exemplo: numa mulher não se bate nem com uma tranca; quem dá aos pobres empresta ao diabo; quem não tem cão caça com tatu; gato escondido com o olho de fora”

“O escrivão Jacinto R…, mesureiro, fértil em aféreses e apócopes, diante de certas notícias, particularmente as políticas, esfrega as mãos, exclama: boniteotó, boniteotó, laranja da China, tabaco em pó.”

Murilo Mendes nos convida a percorrer Juiz de Fora com ouvidos e olhos voltados para dentro. Ele nos apresenta a rua Halfeld e a Batista de Oliveira repletas de vidas que passam, com seus ambulantes, vendedores, barulhos e aromas diversos.

Neste momento, perceba a diversidade dos rostos e das vozes que vão passando.

PONTO 05 - O Cine-Teatro Polytheama

No calçadão da Halfeld, em frente ao Cine Theatro Central

Em 5 de novembro de 1910, um espaço abre suas cortinas: o Cine-Theatro Polytheama, com capacidade para 1.500 espectadores. Depois, em 30 de março de 1929, o antigo Polytheama é demolido e dá lugar ao atual Cine Theatro Central, idealizado pela Companhia Central de Diversões.

“[Meu pai] É um dos fundadores do Politeama”

“O vasto cinema-teatro local, o cinema, se bem que eu ainda não entendesse direito seu significado, já constituía um divisor de águas, e me dava um prazer enorme. Interferia nos meus estudos, alargava meu nascente mundo poético, criando uma dimensão nova da vida. Contribuiu muito para estabelecer entre mim e a banalidade cotidiana uma larga faixa defensiva.”

“Não consigo perder a figura de Asta Nielsen vamp e geradora de vamps, que nunca vi em carne e osso: vi-a sim algumas vezes numa tela de cinema em Juiz de Fora. Foi talvez a primeira revelação que tive do loplop feminino, graças à força de comunicabilidade da imagem cinematográfica.”

“Na véspera da estreia de Alfanor no cineteatro Politeama explodiu na cidade a notícia- prodígio: o mágico trouxera da Europa um cachorro falante.”

Para Murilo, o Cine Teatro Polytheama era mais que um espaço de entretenimento. Desde cedo, o cinema representou uma ruptura com a rotina, trazendo-lhe outras perspectivas de mundo. O Polytheama era também uma referência afetiva, ligada à figura de seu pai, um dos fundadores.

O Cine Theatro Central já teve outras versões antes de ser o que é hoje. Quantos lugares que conhecemos guardam, por baixo de novas fachadas, histórias esquecidas?

PONTO 06 - A vista para Morro do Imperador

Parque Halfeld, em frente à Câmara Municipal, diante da vista para o Morro do Cristo

Batizado oficialmente como Morro do Redentor, mas conhecido também como Morro da Liberdade e Morro do Cristo, o nome Morro do Imperador é uma homenagem a Dom Pedro II que, em suas visitas a Juiz de Fora sempre subia a montanha para, de lá, vislumbrar a cidade que se formava. Foi Baptista de Oliveira que implantou pela primeira vez em solo nacional a ideia de ter uma imagem cristã abençoando a cidade sob seus pés. A construção do Cristo no Morro do Imperador foi iniciada em 1902 e a inauguração ocorreu em novembro de 1905, sendo a primeira deste tipo no Brasil.

“O Brasil era imenso, distante, indeterminado, quase abstrato; o morro do Imperador alto aos meus olhos que nem o Himalaia, dava-me a ideia do limite intransponível.”

“Eu queria que meu pai construísse uma casa no alto do morro; pedia a Primo Nélson que o convencesse; porque morando lá em cima se alteraria certamente minha ideia do limite; estaria mais próximo das nuvens, talvez pudesse conversar com seres sobrenaturais; gozaria de ampla perspectiva. De lá soltaria papagaios em honra de Nossa Senhora, de Tolstói, da preta Venância, de Belmiro Braga, de Lili de Oliveira, das minhas irmãs Vicentina e Conceição, de Isidoro da flauta, de Rui Barbosa”

“Vida doçura esperança nossa, salve, passam vozes descalças, no morro do Imperador uns anões estão fazendo a chuva, quando ficar pronta eu visto a minha roupa de marinheiro mais o boné de borlas pra chover…”

“Veja, Petit, que beleza o arco-da-velha em cima do Morro do Imperador! É a faixa de Nossa Senhora!”

Para o poeta, esse morro era muito mais do que paisagem: era imaginação, mistério, até desejo de liberdade.

O Morro do Imperador é onde a cidade toca o céu na visão de Murilo, um lugar de honra onde termina a rua e começa um sonho.

Desde a época de Murilo, a cidade se verticalizou e o Morro que antes se sobressaia agora está escondido pelos prédios. Imagine como as paisagens e impressões sobre o Morro do Cristo foram se alterando ao longo do tempo.

PONTO 07 - O Colégio interno da Academia de Comércio

Em frente ao campus Colégio Cristo Redentor - Academia de Comércio

Fundado em 1891, para abrigar o primeiro Instituto Superior de comércio do Brasil, foi posteriormente doado à Congregação do Verbo  Divino, que o transformou em colégio no ano de 1901. Desde então, continua sendo um marco arquitetônico e educacional da cidade.

“No tempo do colégio interno, na Academia de Comércio, assistimos diariamente à missa sem entender o rito.”

“durante muito tempo meu confessor na Academia é o padre Solano, alemão, vermelho, duro, rigoroso, olho que arde; martela energicamente a palavra “pecado”, brande a terrível palavra “concupiscência”, espaventosas frases de São Basílio e Santo Agostinho sobre o fogo absoluto do inferno, as esdrúxulas metamorfoses dos danados, a rejeição da graça […]”

“Meu colega Otacílio, tampinha, olho torto, voz de futuro tribuno, era terrível. Com apenas 15 anos declarava-se ateu […]. Aludia a outros planos, por exemplo: provocar a greve geral — noturna — dos 300 alunos da Academia contra uns 20 padres, ministros da nossa instrução alitúrgica; na confusão poderiam ser assassinados a canivete uns dois ou três. Revelara essa e outras tramas em casa; mas o pai, anarquista só de boca e livros, desaprovou-as.”

Em suas memórias, Murilo demonstra desde cedo um interesse pelos estudos. Neste trânsito entre a educação cristã da escola e a pagã do mundo, Murilo se constituiu como intelectual do século XX.

A escola é importante para a nossa formação, mas estudar é um ato para a vida toda, que vai além das salas de aula. Como você busca construir novos conhecimentos no seu dia-a-dia?

PONTO 08 - Um último olhar sobre a rua Halfeld

Rua Halfeld, na esquina com a Avenida Olegário Maciel

A nossa caminhada pela Rua Halfeld chega ao fim!

Guiados pelas memórias do poeta Murilo Mendes, pudemos retroceder no tempo para visitar esta que, em sua infância, lá nas primeiras décadas do século XX, já demonstrava ser uma das ruas mais importantes para a vida social da cidade de Juiz de Fora.

Ao longo do trajeto, o que vocês perceberam de constante?

E o que vocês descobriram como soterrado e perdido nestas diferentes paisagens temporais?

Quais sensações vocês experimentaram ao comparar o que viam ao mesmo tempo que ouviam as recordações de Murilo Mendes?

Esperamos que esta caminhada lhe tenha permitido refletir sobre as alterações ocorridas ao longo do tempo!

Agora, aproveite para descer a rua Halfeld, refletindo sobre como os lugares que conhecemos guardam, por baixo e atrás de novas fachadas, histórias esquecidas!

Sobre o projeto